Deixar-se levar pela ideologia talvez seja uma sandice, pois
todas elas esvoroam-se ou apodrecem ao tempo.
Deixar-se levar pela espiritualização ou pelo misticismo
talvez seja uma obtusidade, pois como a história da avestruz, representa a
cabeça fincada no chão.
Não existem indícios de movimentos ideológicos claros na
sociedade ocidental, porem os traços de uma espiritualização crescente pode-se
claramente notar em praticamente todas as regiões do terceiro mundo.
Essas novas concepções espirituais vêm revestidas de uma
nova roupagem e apresentam novos deuses. Essas novas divindades são bem mais flexíveis,
adaptáveis, populistas e economicamente ativas do que as divindades
tradicionais que as denomino como “Antigos deuses”.
Muito embora ambas as divindades recebam o mesmo nome e tratamento, o crescimento da espiritualização no terceiro mundo só se dá em valia aos “Novos
deuses”, por isso não me refiro ao catolicismo ou as igrejas protestantes
tradicionais do ocidente, essas são doutrinas dos “Antigos deuses” e esses,
tenho-os por mortos ou pelo menos agonizantes, pois não se massificarão mais,
apesar de comportar em suas fileiras a maioria dos fiéis do mundo moderno.
Quanto aos ”Novos deuses”, praticam uma nova didática e uma
nova logística de expansão, visto que se espalham nos veios mais humildes e
ignorantes da sociedade e diferentemente das doutrinas dos “Antigos deuses”
prometem uma “salvação” aqui mesmo e não pós morte. Essa salvação “em vida”
refere-se geralmente ao ganho econômico e emocional que os fiéis teriam de
imediato ao aceitar as novas divindades. E desta maneira auferem altas somas de
dinheiro fazendo-os crescer de forma vertiginosa.
Pondo isso, receio que me é muito mais aprazível a posição em
que me encontro “de sandice ideológica”, do que uma posição de ‘”obtusidade místico-espiritual”,
seja ela anacrônica e decadente ou usurável e usurpável.
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